Sobre a peça

Texto: Silvio Tadeu

Direção: Fábio Scheibe

Elenco: Milton Ostronoff, Edivaldo Gomes, Beth Santos, Caio Pimenta, Ju Camata, José Luiz, Gigi Santos, Renan Santanna, Francisco Alves, Helena Gomes, José Luiz, Eduardo Silva, Henrique Possetti, Laureen Wolf, Tamara Ostronoff, Ifigênia Armendani, Delta de Negreiros , Alessandro Colucci .

Teatro Romance com desconto

“O CORTIÇO” - UMA HISTÓRIA DE PAIXÃO E GANÂNCIA
A história que retrata a sociedade brasileira de 1890 parece que foi escritapor Aluísio de Azevedo nos dias de hoje. Mostra uma imagem muito parecida com a do Brasilatual.
Os conflitos e as desigualdades sociais do século 19ainda persistem no século 21:pessoas vivendo em comunidades miseráveis e violentas, a exploração do homem pelo homem, o preconceito de raça e de gênero, a ganância ea corrupção.
Em “O Cortiço” Aluísio de Azevedo pinta um quadro áspero da realidade, mas se utiliza de uma paleta de cores que exala paixão, beleza e imaginação.
ACompanhia Ágata de Artes escolheu a obrapara oprojeto Livro Vivo, que adapta clássicos da literatura para o palco. Nesta montagem levaremoso público a refletir sobre questões como etnia, classe social e o papel das mulheres.Simbolicamente faremos uma homenagem a Marielle Franco, que lutava para defender o ser humano e morreu por isso. A vereadora foi assassinada a tiros no Rio de Janeiro em março deste ano.
Os personagens em cena revelarão como as pessoas são afetadaspor sua posição social, ambiente e relações raciais. Homens que pisam uns nos outros, descartam as mulheres, desconsideram os mais humildesà medida que avançam na escada social.
Quem espelha a ambição, o materialismo e a exploração humana é o dono do cortiço, o português João Romãoque sacrifica seu próprio bem-estar para acumular dinheiro. Sua empregada, e também companheira, Bertoleza, personifica a escravidão e a exploração dos mais fracos.
Vizinha ao cortiço vive a família do rico Miranda, que conquistou bens, mas não a felicidade pessoal. Não possui nem mesmo a fidelidade da esposa Estela. Ele precisará fortalecer sua imagem pública para aparentar uma vida realizada, cheia de convenções.
Se o poder material não é atingido, muitos se valem da amoralidade para levar vantagens, como Botelho, que mora de favorna casa de Miranda e saberá tirar proveito econômico da amizade que estabelece com João Romão.
Se os homens se envaidecem de poder, o poder das mulheres está confirmado na sedução.A personagem Leocádiaserá capaz de usar o homem como um instrumento para conquistar uma nova vida com menos dificuldades.
O desejo e o calor sexual dos trópicos exalam pelos poros da personagemRita Baiana, que encontra em Firmo uma cumplicidade para seus instintos, mas provocará o trabalhador imigrante Jerônimo. Em um conflito travado entre o bom senso e a paixão Jerônimo se entregará ao amor livre e à felicidade plena, sem respeitar sua mulher Piedade, que ficará devastada pela traição.
A história inclui ainda os jovens Pombinha, Henrique e Florindaque vivenciam a descoberta sexual e homossexual. Há ainda um contraste entre avida libertina da cafetina lésbica Leonie com os preconceitos e tradições das personagens Dona Isabel e Marciana.
Condensando toda a decadência humana do romance, está a figura do mendigo bêbado Libório. A fé e a religião vêm representadas pelos rituais, cartas e simpatias da Bruxa.
Os conflitos serão emoldurados pelo coro das lavadeiras que afirmarão o poder feminino da sedução, transformação e contestação.

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